Centro Gaspar Garcia promove sarau e discuti cultura e resistência com coletivos da periferia

Mayara Nunes

Localizado próximo ao Metrô Armênia, ali na rua Dom Rodó, fica o Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos,no dia 9 de dezembro, trouxe novidades para a resistência, com um sarau e roda de conversa, enriquecedores em expressões culturais nas lutas por direitos.
O bate-papo contou com a presença de Ana Fonseca e Paulo Rams, ambos do Coletivo Pefifatividade. Eles contaram sua trajetória como fomentadores culturais e educadores na região que eles chamam de “fundão do Ipiranga”.

“Por que “fundão do Ipiranga”? porque quando falamos Ipiranga, as pessoas conhecem a região pelo museu e seu entorno que é um lugar de classe média alta. Mas o Ipiranga também tem o fundão, que fica próximo do zoológico. Faz divisa com Diadema e São Bernardo do Campo e a gente também atua do outro lado da Anchieta, que faz divisa com São Caetano”, explica Ana Fonseca, educadora do Pefifatividade.

A região abrange comunidades como Jardim Climax, Parque Bristol, Jardim São Savério, Vila Moraes, Heliópolis e São João Climaco e faz divisa com o ABC paulista. Lá que Ana e Paulo realizam o agito cultural e a luta por mais recursos para promoção e realização de eventos culturais na periferia, junto a mais quatro integrantes eles compõe o Coletivo Perifatividade.

“Nós do Perifatividade estamos há 6 anos nessa luta pela cultura, pela educação e pelos Direitos Humanos. Nós acreditamos que só vamos conseguir ter uma educação que seja, de fato, libertadora e que emancipa o ser humano, quando essas três áreas se tornarem homogêneas”, conta a educadora

2017 será um ano de resistência, tanto para os Direitos Humanos como para o acesso à cultura garantido para as populações periféricas. Em vista dos desafios com a nova gestão municipal, que já exclui, afasta e criminaliza o funk e manifestações populares e ainda decidiu por afastar a Virada Cultural para a Zona Sul de São Paulo que sempre ocorreu no centro facilitando o acesso.


Ana Fonseca aponta que a decisão para tal mudança promovida pelo novo prefeito, João Dória, faz parte do protocolo de sua política higienista. “A virada nesses últimos anos foi ocupada pela periferia. A periferia tomou conta do centro, seja ela no palco ou como frequentadora. Então, é muito fácil jogar na nossa conta tudo o que acontece. Se tem um arrastão, logo, foi por causa da presença da periferia, qualquer coisa negativa é atribuída à periferia. Então, qual é a estratégia de higienizar? É nos tirar do centro”, afirma Ana.

No programa de cultura para a cidade de São Paulo, do novo prefeito, aparece a palavra apartheid como um dos cinco eixos que fundamentam o programa. Apesar da justificativa da assessoria de imprensa de que ele utilizou a palavra, em sentido contrário a segregação, Dória já fez outros comentários desastrosos, tal como, “a cidade é um lixo vivo”, referindo-se ao centro de São Paulo.

Na última semana, Dória, confirmou a transferência da Virada Cultural para o Autódromo de Interlargos. O secretário de cultura da atual gestão diz que a transformação visa garantir a segurança dos participantes. A virada ocorre no centro da cidade, desde 2005, e já se tornou patrimônio imaterial de São Paulo.

“A gente pensa em uma virada alternativa. Vamos ocupar o centro, mas eu acho que nesse momento, e é um pedido que fazemos a todos. Vamos nos unir e ir à câmara brigar pelo orçamento. Tem que ter políticas públicas. Tem que ter orçamento de cultura para a periferia, assim como orçamento para a pop rua. Todos nós oprimidos temos que estar lá em massa, independente de qual movimento você lute. Porque nós vamos enfrentar uma resistência longa, a Virada Cultural foi só uma alfinetada”, comenta Ana.

A cultura é um Direito Humano que pode e deve ser usado na promoção de direitos fundamentais para a população. Em contexto de desigualdades e perda de direitos fundamentais a cultura tem o papel de promover reflexão e denunciar os limites desumanos das relações sociais em uma sociedade excludente.
Luiz Kohara ,membro do Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos, explica o sentido da cultura na vida em sociedade e sua importância como ferramenta que agrega valores no subjetivo do indivíduo e a riqueza encontrada nos sarais da periferia.

“Eu vejo a cultura como algo essencial que fortalece a autoestima da sociedade,principalmente, da parcela popular da sociedade que é excluída, porque a cultura na verdade perpassa todo o sentido do ser humano, e ela, de certa forma, resgata todos os valores e as forças que existe dentro das pessoas. Só que muitas vezes o sentido da cultura é manipulado, então nós vivemos experiências”, elucida.

Gentrificação é o processo que envolve a troca de um grupo social por outro de maior poder aquisitivo, que para além da ótica imobiliária, o termo também pode ser considerado ao observar a troca de perfis culturais em um determinado local, muitas vezes, levando o nome de revitalização.

“Quando se fala em revitalização de uma região, ou mesmo da revitalização do centro de São Paulo é sempre relacionado a cultura, como se a cultura pertencesse a uma parcela de classe mais alta, e não que cultura fosse parte de toda uma sociedade. E hoje a gente pode ver aqui a riqueza da cultura das populações que estão nas periferias, não só a periferia territorial, mas a periferia social, e que tem muita criatividade,poesia, música, riqueza, muita forma de relacionar e muita beleza que deve ser manifestada até mesmo pra que ganhe força na luta pelos seus direitos”, explica Luiz Kohara.

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