24º Grito dos Excluídos

Desigualdade gera Violência: Basta de privilégios!

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Este é o lema do 24º Grito dos Excluídos. Considerando a enorme desigualdade social do Brasil e entendendo como raiz dessa questão os diversos privilégios que são dados à elite, o Grito de 2018 está clamando: BASTA DE PRIVILÉGIOS. A VIDA EM PRIMEIRO LUGAR.

O povo está cansado de tanta violência: institucional, policial, cultural, política. Por isso, a nossa luta é por direitos!

O 24ª Grito dos Excluídos quer denunciar a gritante desigualdade que está mais uma vez assolando nosso país – aumento de salários para o judiciário e legislativo, terceirização irrestrita dos trabalhadores, cortes de direitos, reformas trabalhista e da previdência, precarização do SUS e SUAS.

Sendo assim,  a Rede Rua mais uma vez integra este movimento e endossa o Grito com a População em Situação de Rua. É por moradia digna, por melhores empregos, por acesso à educação e à saúde.

O resultado dos cortes de direitos aos trabalhadores e trabalhadoras e a concessão de mais privilégios à elite são notados diretamente nas ruas: cresce o número de pessoas que  não tem mais onde morar, verifica-se que os centros de acolhida estão lotados, bem como, é visível a falta de investimento em políticas públicas eficientes voltadas à população em situação de rua.

Dessa forma, no dia 07 de setembro acontecerão diversos atos por todo o país! A Rede Rua estará na cidade de Aparecida do Norte – São Paulo, junto com diversos movimentos sociais, entidades, igrejas e a enorme pluralidade de pessoas sempre presentes e comprometidas com a luta social e a garantia de direitos. Vem com a gente!

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4º  Congresso Nacional da População em Situação de Rua

Nos dias 22 a 25 de Maio o Congresso Nacional da População em Situação de Rua realizou um evento para o exercício da intersetorialidade das pessoas em situação de vulnerabilidade social. O encontro ocorreu na colônia de férias do Sindicato dos Metalúrgicos  em Cidreira, no Rio Grande do Sul (RS).

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A troca de experiências foi um dos pontos mais relevantes para os representantes e para os militantes que participaram do congresso.

A conferência contou com uma participação de todos os Estados, além da presença de 19 coordenações. O evento aconteceu em dois anos, com o objetivo de mostrar a diretriz orientadora como coordenadas estaduais de acordo com uma política conjunta brasileira. Temas book Direitos Humanos, Assistência Social e Políticas de Habitação foram debatidos durante o encontro.

Futuramente, os organizadores buscam encontrar um novo projeto voltado para uma População em Situação de Rua. A proposta prevê a retirada das pessoas em condições socioeconômicas vulneráveis ​​e necessárias ao governo federal, comenta Darci Costa, Coordenador do MNPR.

A iniciativa visa o fortalecimento do Movimento Nacional da População em Situação de Rua.

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“A rua te acolhe, a rua te ensina a sobreviver…”

A história de Neide Vita: a poetiza da rua

Onze anos. Esse foi o tempo que Neide Vita morou na rua. De sorriso largo e estatura baixa, o bom humor e o brilho no olhar dessa mulher de 52 anos não deixam transparecer o sofrimento que já passou na vida. Com uma infância marcada por abusos e abandono, aos 17 anos e grávida, se viu sem amparo de sua família biológica e adotiva. Para fugir da violência, a adolescente viu a rua como refúgio. Com uma mochila e uma mala, foi parar na Praça da

Sé, centro de São Paulo. Decidiu que a rua seria seu novo lar, e foi. Era o único lugar do mundo em que ela se sentia plenamente aceita. “A rua ensina, a rua é mãe”, afirma. A droga e o álcool vieram no quinto ano e foram a válvula de escape para aplacar a dor e os dias difíceis, uma fuga da realidade. Mas foi também na rua que conheceu o real sentido das palavras família e companheirismo. Das adversidades, tirou lições. “Eu aprendi que na rua a gente não dorme! Quando dorme é durante o dia, porque a cidade está em movimento”. Ela gostava das praças por ser um lugar no meio das árvores que passa tranquilidade. E foi na Praça da Sé, lugar tão emblemático para ela, que Neide escolheu para fazer a entrevista, embaixo de uma árvore. O dia era, coincidentemente, 19 de agosto, Dia de Luta da População em Situação de Rua.

Neide Trecheiro siteA mistura de emoções que permearam sua cabeça foi visível quando chegamos à praça e ela relembrou com certa melancolia – e talvez até com uma ponta de nostalgia –, daquela tarde que mudou o rumo da sua vida. Hoje, no aniversário de 10 anos de saída da situação de rua, ela atua ativamente defendendo os direitos humanos e a dignidade de pessoas que estão nessa condição. Artesanato, eventos voltados para mulheres e autoestima, suporte para talentos e incentivo à artistas que estão camuflados pela marginalização são algumas das ações das quais ela faz parte. Mas, como ela diz, “sempre agindo em comunidade, em conjunto”, é assim que se pode lutar, quando a união acontece. Essa “poetisa da rua” encerrou a nossa conversa com uma reflexão da imensidão da rua e da singularidade da história de cada um: “No mosaico da vida da população em situação de rua, a minha é só uma peça”. Atualmente, Neide é integrante do Comitê Intersetorial da Política Municipal para População em Situação de Rua da Prefeitura de São Paulo e educadora social no Refeitório Pena forte Mendes, gerido pela Associação Rede Rua. Administra uma página no facebook denominada de “Mulher/Amor e Poesia”. Neste espaço expressa suas poesia se pensamentos.

Marina Ferreira

 

Matéria publicada no Jornal “O Trecheiro” edição 241 agosto/setembro de 2016.